Os dias no mosteiro são dinâmicos. Aulas, palestras, conversas e reflexões refletem a tônica de cada período de estudos. Disponibilizar conteúdos diversos através de diferentes métodos tem por finalidade fomentar o autodescobrimento, degrau primordial para todas as transformações evolutivas. Enquanto você não se conhecer mais e melhor, não haverá como entender aquele que precisa deixar de existir para dar lugar a alguém que necessita surgir em si mesmo. É fascinante. Contudo, isso não acontece de uma única vez. Tampouco por toque de mágica. Ocorre aos poucos. Cada pequeno avanço é resultado de muito esforço. As descobertas motivam conquistas interiores. As conquistas exigem ainda mais dedicação, contudo, trazem consigo o poder de modificar a realidade. O mundo permanece o mesmo. Mudam o olhar e a postura com que lidamos conosco, com tudo e com todos. A vida se expande em gosto, leveza e possibilidades.
Eu assistia ao curso de aprofundamento sobre a complexidade do processo obsessivo, das influências prejudiciais motivadas por ideias de conflitos e sentimentos densos movidos por vícios comportamentais. Este curso havia sido montado por mim, havia alguns anos, pelo qual fiquei responsável por um bom tempo. Depois, fui transferido para outras atividades. O Franz assumira o curso desde então. Como método de supervisão e acompanhamento, o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo do mosteiro, pedia que assistíssemos algumas aulas de cada um dos cursos em andamento. Ainda que nunca tivesse ocorrido nenhuma briga ou discussão, havia um indisfarçável distanciamento entre mim e o Franz. Embora houvesse uma convivência polida e educada, a amizade não se aprofundara. Por vezes, acontece e nada há de errado nisto. Sem que tivesse nenhum motivo aparente, eu tinha a sensação de existir uma rivalidade não declarada por parte dele. Muito dedicado, era inegável o seu talento para lecionar e transmitir ideias. Era considerado um dos melhores professores da Ordem.
Tudo parecia bem, até que em determinado momento da aula, Franz fez uma sutil menção a um aspecto da palestra que eu havia ministrado no dia anterior, sugerindo haver um grave erro conceitual nas minhas palavras. Ocorre que ele tinha descontextualizado a frase, a inserindo em um cenário estranho ao qual eu usara originalmente. De modo indireto, insinuou que a palestra teria sido perda de tempo para quem a assistira. Como se não bastasse, elogiado por um jovem monge sobre o conteúdo das aulas, Franz se declarou autor do curso, cuja elaboração o tinha custado incontáveis dias de pesquisa. Uma afirmação inverídica, uma vez que o curso estava exatamente igual ao confeccionado por mim há quase uma década.
A irritação me envenenou as entranhas. Em outros tempos, eu interromperia a aula para corrigir o erro, exigir respeito e reparar a ofensa. Haveria uma discussão. Um conflito seria instalado. No entanto, uma reação destemperada em nada serviria para atenuar a minha raiva. Atitudes com base no ódio ou na mágoa quase sempre são manifestações vingativas, ainda que inconscientes. Saímos da luz para caminhar nas sombras. Ficamos mal. De nada serve o argumento de que fomos provocados. Assim como eu e você, as pessoas vivem do jeito que sabem ou conseguem. A insistência em mudar os outros ou para que admitam os seus erros é exercício típico dos tolos. Ninguém se modifica para agradar ninguém, tampouco confessam os equívocos quando não são capazes de os reconhecer. Mudamos quando algo em nós deixa de caber em quem queremos nos tornar. Enquanto não acontecer, tudo continuará como está.
No mais, ninguém coloca ódio, inveja ou ciúme em ninguém. O sentimento, seja qual for, sempre esteve dentro da gente. A provocação o traz à tona. No caso, sendo meus os sentimentos, negar a responsabilidade que me cabe nos estragos que vierem a causar é ato de imaturidade. O comportamento de outra pessoa terá ou não o poder de manifestar reações desvairadas em mim, a depender se domino as minhas emoções ou se elas me dominam. Por isto as reações, muito mais do que as ações, demonstram em que ponto estamos no processo evolutivo. Servem para fortalecer o equilíbrio emocional ou motivar desatinos e fúria. Por esse e outros motivos, o autoconhecimento é fator preponderante à evolução espiritual. Esta não caminha sem aquele.
Muitos tentam fundamentar os próprios desequilíbrios sob a pretensa alegação da necessidade de exigir respeito. Sem dúvida, o respeito é um inestimável aspecto da autoestima. É um dos pilares da dignidade. Contudo, o que poucos se dão conta é que o respeito é atitude interna, de preservação de valores e princípios. Mesmo ofendido, a pessoa pode se manter em atitude de respeito, sem revides nem conflito. Não raro, uma pessoa que se altera por suposta falta de respeito e reage agressivamente, o faz movida por orgulho e vaidade. Nada haverá de respeitoso em uma reação desse quilate.
Não apenas as críticas e as ofensas, mas os elogios também podem gerar reações de desrespeito, quando tendenciosos, obscuros ou interesseiros, servindo à manipulação de vontade ou da verdade. Respeito é agir e reagir de modo a se manter no próprio eixo de luz. Assim, em nada importa o que outras pessoas fazem ou deixam de fazer. Respeito, acima de tudo, é ato interno de coerência com a verdade alcançada e com as virtudes adquiridas. Simplicidade e moderação é autorrespeito, arrogância e soberba é vício desrespeitoso por si mesmo. Exigir respeito é outra prática comum aos tolos.
Não há como impedir a chegada das emoções indesejáveis. Entretanto, há como evitar que elas nos azedem, dominem e manipulem. Ninguém se sente melhor depois de agir como quem tropeça no próprio coração. As consequências são desagradáveis. A responsabilidade por quem sou e como transito pelos dias é apenas minha. De mais ninguém. Não me cabe lamento nem reclamação. Aceitar esta verdade não apenas é ato de maturidade, mas também me devolve o poder sobre quem eu sou e sobre a minha vida. Aceitar, acolher e nomear adequadamente as emoções é fase importante na jornada do autoconhecimento, afinal, elas trazem mensagens valiosas sobre quem ainda não somos, mostram aspectos que carecem de reconstrução interior. Quando afasto a consciência para entregar o comando às emoções, fico à mercê de situações do mundo, circunstâncias da vida e atitudes de outras pessoas. Sinto-me frágil e desequilibrado. Isto me distancia da paz. Quem me define o comportamento e as escolhas também determinará o meu caráter e o destino.
Naquele episódio, preferi o silêncio. Até porque em outra ocasião, tive uma reação tempestuosa diante de uma provocação do Franz. Na época, fiquei com a sensação de que ele tinha sentido prazer com o meu descontrole. Embora de valor inestimável, o silêncio nem sempre é a melhor resposta. Por vezes, existe a necessidade de se expressar. Há mil boas maneiras de se fazer isso, nunca abdicando da serenidade, da clareza e da concisão. Serenidade para que haja escuta, clareza para que a ideia seja compreendida e concisão para que o excesso de palavras não esgarce o poder dos argumentos. Uma frase curta, quando bem colocada, e de preferência em forma de questionamento, pode servir de espelho ao interlocutor intempestivo.
Lembrando que a ironia e o sarcasmo são manifestações disfarçadas de violência, ora de ataque, ora de defesa e, assim, devem ser evitados. Outro ponto fundamental ao respeito é sobre os argumentos. Estes devem ficar tão e somente na esfera das ideias. Apontar defeitos e vícios de comportamento em alguém demonstra a incapacidade de raciocinar e argumentar em bom nível. Aqueles que respeitam a si mesmo debatem ideias, jamais o caráter de uma pessoa. A agressividade e a vingança arrancam do eixo de luz quem as utilizam na ilusão de manter a honra ou impor respeito. Não fazer aos outros aquilo que não queremos que nos façam é o pilar central da dignidade.
Contudo, fiquei muito chateado. A irritação se recusava a ir embora. A cena do ocorrido me dominava a mente. Não conseguia a afastar do pensamento. Dormi mal naquela noite. Ainda era madrugada quando decidi me levantar. Dirigi-me à cozinha em busca de uma caneca de café. Manter a mente ocupada com os afazeres talvez me ajudasse a esquecer o ocorrido. Sentei-me próximo às janelas para apreciar as estrelas. Fui surpreendido pelo Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo do mosteiro. Ao entrar na cantina, ele pegou uma caneca de café e se sentou à mesa comigo. Sem nada inquirir, como se soubesse o que se passava comigo, pontuou: “O autoconhecimento o trouxe até aqui, mas o que sabe sobre si mesmo não o levará adiante. Será preciso descobrir mais”.
Perguntei do que o bom monge falava. O Velho não fez rodeio: “Há inegável mérito em não explodir de raiva. No entanto, ao se deixar implodir por causa da provocação, ficou demonstrado o quanto ainda precisa caminhar. As emoções são ardilosas. Ao se proteger de uma reação indesejada, a emoção o demoliu de outra maneira. Não desperdice a mensagem que ela traz”.
Era verdade. Questionei se eu havia errado em ter me silenciado. O Velho retrucou: “Eu não falei isso, mas também não disse diferente disso. O silêncio é ferramenta para quem sabe usar. Ajuda a erguer obras maravilhosas. As conquistas mais importantes são envolvidas e movidas em silêncio. No entanto, quando mal compreendido, a longo prazo e aos poucos, pode se tornar um nefasto instrumento de anulação da própria personalidade. Pode caracterizar uma fuga, medo ou ausência de autoestima em gesto de desrespeito por si mesmo. Há que se ter cuidado”. O bom monge prosseguiu: “Para servir como instrumento de movimento o silêncio exige postura, firmeza e entendimento. Trata-se de uma atitude de coragem e autodomínio, jamais gesto de submissão ou encolhimento diante de algo ou alguém. Embora a mecânica externa seja semelhante, a construção interna é bem diferente”.
Franziu as sobrancelhas e acrescentou: “O silêncio é perfeito quando se entende a desnecessidade de uma resposta com palavras. Há tanto desatino e incoerência na acusação que nenhuma palavra poderá alterar o desequilíbrio no acusador. Então, cabem aos olhos rebater o absurdo dos argumentos, uma vez que o interlocutor não está em condições de ouvir nenhuma ponderação. Em muitas situações, o silêncio tem o poder de desmontar a arena por demonstrar a insensatez do duelo. A espada desembainhada com agressividade envergonha o gladiador ao se deparar com um monge em paz consigo mesmo. O silêncio mostrará ao contendor a verdade desagradável de um comportamento degradante”.
Aleguei que, embora entendesse que o silêncio tivesse sido a melhor resposta diante da provocação do Franz, eu não sabia o motivo de ter ficado tão mal. O Velho explicou: “Existem diversos aspectos que precisam ser considerados. É natural que ao sermos atacados, sejamos tomados por algum tipo de irritação. Afinal, uma fronteira interna foi invadida. Alguém foi aonde não estava autorizado a ir dentro da gente. Compreendamos essa emoção, não como um alerta de revide, mas para que o invasor não nos coloque onde ele quer que fiquemos. Em geral, por não se tratar de um bom lugar, sentimentos sombrios instalarão um império. Contudo, embora esse sentimento seja um valioso mensageiro, não serve para orientar nenhuma reação ou a rearrumação interna que precisamos fazer logo após à invasão. Seria catastrófico”.
Bebeu um gole de café e continuou: “Ao não permitir que a raiva comandasse a reação, você demonstrou possuir um bom poder sobre si mesmo. Sem dúvida, um importante passo. Entretanto, deixou que raiva norteasse o seu realinhamento emocional. O ódio é um péssimo conselheiro. Daí o desastre incompreendido. Evitou a explosão, mas sem se dar contar, permitiu a implosão. É neste ponto da estrada que muitos se perdem. Sentem-se mal, irritadiços ou desanimados, os pensamentos ficam lentos, o coração se torna rancoroso”.
Pedi para que explicasse melhor. O Velho foi didático: “Cada um só dá o que tem, muitos repetem esta surrada frase como se fosse um mantra de cura. Sem dúvida, há inegável verdade nesse conceito. Entretanto, para que esse entendimento sirva de elixir, se faz indispensável trazer à tona a virtude que lhe concede a eficiência curativa e libertadora. Do contrário, não passarão de palavras sábias pronunciadas por mentes esvaziadas de motivações genuínas. Um carro sem motor não vai a lugar nenhum. Apenas quando impulsionado pelo sentimento correto, o bom conhecimento adquire o poder transformador da sabedoria”.
Questionei sobre qual virtude ele se referia. O Velho respondeu de pronto: “A compaixão”. Pousou a caneca sobre a mesa e elucidou: “Age com compaixão quem possui uma compreensão profunda sobre as fragilidades humanas. Não se trata de um sentimento de superioridade. Isto daria asas ao orgulho e a vaidade. Assim, seria uma sombra. Quando me refiro à compaixão, falo de uma compreensão profunda, a qual exige percepção apurada e sensibilidade refinada. A autêntica compaixão nasce da humildade. Antes de reconhecer as próprias fraquezas ninguém estará apto a se valer da compaixão para sentir no próprio coração as dificuldades alheias. Somente desse modo a compaixão se torna uma virtude. Do contrário, o indivíduo citará o conhecimento sem a menor capacidade de o usar como ferramenta evolutiva. Apenas a compaixão tem o poder de desmanchar sentimentos como o ódio, a mágoa e outros afins. Para tanto, terá de os compreender como manifestações de uma alma ainda imatura. Apenas possível se a sua própria alma lhe servir de laboratório e exemplo. A compaixão é pressuposto indispensável ao perdão. Sem aquela, este jamais será alcançado. Sem perdoar ninguém será livre, tampouco conhecerá a paz”.
Como modo de ressaltar as palavras, bateu com o dedo indicador na mesa e acrescentou sobre a compaixão: “Trata-se de uma virtude de defesa e de limpeza interna. Para tanto, precisará aceitar que o comportamento alheio somente o arrancou do eixo de luz porque ainda lhe faltam os fundamentos para o devido amadurecimento dos seus pilares de sustentação. Quando ainda verdes, verdades e virtudes carecem de consistência para sustentar a consciência diante dos inevitáveis ventos contrários da existência”.
Indaguei sobre as pessoas que ofendem, agridem e provocam. O Velho deu de ombros e comentou: “Não se preocupe com elas. O mal, ainda que eventualmente prejudique outras pessoas, é patrimônio e responsabilidade de quem ergueu a obra. A cada um caberá se abrigar na morada que construiu para a própria consciência. A noite dos tempos é igual para todos”.
Em seguida, lembrou: “Dentro da gente transitam todos os sentimentos. Os bons e os maus. Sem exceção. A compaixão não conseguirá impedir a presença da raiva logo após uma ofensa ou uma provocação. Contudo, terá força para não permitir que a emoção densa se alastre, perdure e, mais importante, o domine. Aos poucos, à medida que se conhecer mais, aprenderá a lidar melhor com as suas emoções. Assim, conseguirá reduzir o tempo de permanência da sensação ruim até que dure apenas um átimo de segundo. Então, nenhum veneno restará derramado no seu coração”.
Questionei o motivo de termos tanta dificuldade com a compaixão, sendo que quase sempre somos vencidos pelo ódio e pela mágoa. O Velho resumiu em uma única palavra: “Abnegação”. Ao perceber o meu olhar inquisitivo, esclareceu: “Trata-se de uma simples, porém poderosa virtude, apenas acessível a quem já consegue priorizar as conquistas espirituais em detrimento das materiais. É simples, mas não é pouco. Além de permitir um rol de posturas e escolhas de nível elevado, os abnegados têm clara compreensão de onde se situa o verdadeiro campo de batalha”.
Apontou para o coração e concluiu: “O bom combate se traduz na vitória sobre si mesmo, jamais sobre qualquer outra pessoa. Derrotar os vícios comportamentais, as más inclinações, resistir aos atalhos e às tentações, afastar os pensamentos obscuros, rejeitar os desejos de superioridade, sedimentar o equilíbrio emocional e fazer o bem sem importar a quem são alguns exemplos de vitórias e conquistas de extremo valor. Extrair luz das próprias sombras define as verdadeiras maravilhas da vida. Quem as buscar no mundo, nunca restará saciado. Aquele que as encontrar em si mesmo, jamais tornará a sentir sede. Não há poder maior”.
Questionei o motivo de relutarmos tanto em priorizar essas riquezas. Ele piscou um olho e sussurrou como quem conta um segredo: “As conquistas mais importantes são realizadas no silêncio do coração, dos lábios e dos atos. Só os abnegados e humildes estão aptos a usar o silêncio e a discrição para se deslocar pelo mundo e pela vida. Não fazem questão de serem vistos, lembrados ou admirados. Valem as construções internas, silenciosas e invisíveis a olhares afoitos. As obras devem ter a marca do anonimato. Eles se empenham pela melhor ação, no aperfeiçoamento do processo espiritual em total desapego aos resultados externos. Somente alguns já têm a capacidade de ver o que as multidões ainda não conseguem enxergar”.
Esvaziou a caneca de café e lembrou: “O engodo e a ilusão trazem barulho, ansiedade e confusão, nada parece bom. A verdade é silenciosa, serena e acolhedora, traz lucidez, equilíbrio e força de movimento”. Em seguida, finalizou: “O silêncio é para quem se importa mais com a luz do que com o brilho. O verdadeiro respeito reluz em um lugar onde muitos nunca estiveram. Por isto não compreendem o valor”.
Indaguei se não seria conveniente esclarecer sobre a autoria do curso ou sobre o verdadeiro teor da palestra. O Velho ponderou: “Nunca se preocupe nem se desgaste tentando convencer ninguém sobre a verdade. Se vierem perguntar, seja honesto e se esforce para não melindrar ninguém. Se ninguém perguntar, não se preocupe em procurar um palanque para esclarecer ou contar a sua versão sobre o fato. Importa que você conhece a verdade. Apenas viva a verdade em silêncio. Caminhar com a verdade traz em si um grande poder. Não apenas o liberta dos sentimentos densos e das emoções mesquinhas, mas também das opiniões alheias e das validações do mundo. Viver a verdade através de uma alegria sincera e silenciosa traduz o respeito e a dignidade por si mesmo. Não há paz mais profunda. Acredite, isso basta e não é pouco”.
O dia amanhecia. Alguns monges começaram a entrar na cantina. Calamo-nos. Nada mais precisava ser dito. O Velho sorriu, se levantou e foi embora. Deixou comigo uma valiosa lição e um importante dever. Peguei um pequeno caderno de anotações que sempre carregava comigo e, com um lápis, rabisquei o primeiro parágrafo deste texto. Ali continha o que me caberia realizar até o último dia do dia sem fim. Enquanto alocava as ideias em suas devidas prateleiras, observei os passos do bom monge se afastando. Eram lentos, porém, seguros.
